hérnias inguinais

Agora que você já está entendendo um pouco mais sobre hérnia inguinais, como aparecem, como se manifestam e como são diagnosticadas, podemos focar no seu tratamento.

Como já ficou claro, a hérnia é um problema mecânico por envolver passagens ou fraqueza muscular e pressão. Essa informação é importante uma vez que para problemas físicos, o seu tratamento é físico. Não tem como ser tratado com química. É isso mesmo que você entendeu! Não existe nenhum tipo de medicação, pelo menos até os dias atuais, que curem uma hérnia inguinal. Assim como exercícios e reforço muscular, não só não resolvem como podem piorar o quadro.

Cirurgia de hérnias inguinais

Talvez você esteja perguntando se toda hérnia deve ser obrigatoriamente operada. A resposta é “não” e “sim”.

Não deve, se…

O “não” pode ser respondido uma vez que a literatura médica admite essa possibilidade nas hérnias assintomáticas. Aqueles pacientes que vêm ao consultório médico por qualquer outro motivo e o médico acaba encontrando uma hérnia que o paciente nem sabia que tinha, não apresentava sintomas nem abaulamentos (as hérnias ocultas, lembra?), podem ser deixadas em conduta expectante. Isto quer dizer que, nesse momento, a opção de acompanhamento sem operar pode ser uma escolha do médico junto com o paciente. O paciente portador desse tipo de ocorrência deve ser bem esclarecido sobre seus cuidados e como fazer o acompanhamento frequente da hérnia, junto ao médico especialista. Deve saber que a hérnia pode mudar seu comportamento e ter que ser corrigida por cirurgia mais para a frente no tempo.

Há casos em que a cirurgia deve ser adiada. Em paciente com hérnias maiores e/ou sintomáticas que não apresentem condições clínicas para a cirurgia ou o risco cirúrgico é maior que o risco de ter uma hérnia, também não serão operados a princípio. É o caso de pacientes idosos, com doenças cardíacas ou pulmonares, debilitados, acamados ou qualquer situação que comprometa o estado geral, assim como obesos, fumantes, alcoólatras ou em uso de medicamentos imunossupressores, devem ter sua cirurgia adiada até que esses estados estejam equilibrados novamente. Homens com doença prostática, deve ter a próstata tratada antes da correção da hérnia. Todas essas situações e outras não citadas, devem ser identificadas e corrigidas pois são situações que podem comprometer o resultado da cirurgia desde óbito do paciente até retorno da hérnia.

Deve se…

O “sim” acaba sendo a resposta para a maioria dos pacientes. Basicamente, o tratamento visa o fechamento do anel herniário e reforço da musculatura da região. Uma ideia óbvia e bastante simples, porém, de execução que exige um especialista para obtenção de sucesso. Existem inúmeras maneiras da cirurgia ser feita, que variam da técnica cirúrgica, tipo de anestesia, via de acesso como a tradicional (por corte), laparoscópica ou robótica, uso de tela e qual tela, etc., cada uma com suas peculiaridades, vantagens e desvantagens, riscos baixos ou mais altos, índices de complicações maiores ou menores. Tudo isso o médico cirurgião deve conhecer e explicar para o paciente. Para explicar qual a melhor técnica em cada caso.

No mundo todo e no Brasil existe um número cada vez maior de cirurgiões que se dedicam a entender e tratar hérnias. Isso tem melhorado de maneira importante os resultados. Procure sempre saber da experiência específica com hérnias, do cirurgião antes de se submeter à cirurgia. Você poderá ouvir frases como “é só uma herniazinha”. Cuidado com quem diz isso!

Diferentes cirurgias

As cirurgias abertas ou anteriores (com cortes), são cirurgias de aprendizado mais rápido por parte do cirurgião. E, com isso, mais fáceis de serem feitas por exigirem menos experiência de quem está operando. Foram as primeiras técnicas descritas para se corrigir hérnias inguinais. No início, as fraquezas eram corrigidas com pontos. Acontece que o tempo mostrou que a quantidade de recidivas (retorno) das hérnias era relativamente alta. Hoje sabemos que a causa disso é o fato do músculo corrigido ficar muito estirado. Por isso, tende a se contrair nessas situações, aparecendo rupturas nesses músculos.

A partir dessas observações, começaram a aparecer as técnicas tension free (sem tensão) com a colocação de telas cobrindo a área de fraqueza. Isso diminuiu muito a ocorrência das recidivas, porém vieram outros problemas que veremos em post futuro onde abordarei especificamente as telas. De qualquer forma, o estudo brasileiro e internacional que tratam sobre o assunto aconselham fortemente o uso de telas para a correção das hérnias inguinais. Esse tipo de cirurgia, por via laparoscópica, costuma ser mais doloroso e ter tempo maior de recuperação.

 Cirurgia Lapatoscópica

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O acesso laparoscópico consiste na realização da cirurgia com o uso de uma ótica especial, introduzida por um pequeno orifício na parede abdominal, acoplada a uma câmera que transmite a imagem interna para um monitor externo. Em outros dois orifícios, o cirurgião introduz pinças próprias para o procedimento e consegue acessar a área desejada e trabalhar nela. No caso das hérnias inguinais, o cirurgião localiza o defeito inguinal e coloca a tela. Trata-se de cirurgia bastante segura para quem tem vivência com esse tipo de técnica operatória. Ela exige mais treinamento e mais habilidade por parte do cirurgião. Esteticamente é superior por não ter cortes, dói menos e o retorno para as atividades diárias é mais precoce. Em grupos que tem se dedicado ao tratamento das hérnias, como o nosso grupo, a laparoscopia é o procedimento mais apropriado.

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Mais modernamente, a cirurgia laparoscópica ganhou um console onde o cirurgião opera sentado, visualizando a imagem 3D e controlando pinças com maior número de movimentos e precisão. É a chamada cirurgia robótica. Além de todas as vantagens da laparoscopia, permite ao cirurgião maior ergonomia. E, com isso, um ganho importante na segurança pelo tipo de visão e dos movimentos das pinças. Infelizmente as fontes pagadoras não cobrem, ainda, o uso da robótica. Particularmente acredito que em futuro próximo haverá cobertura, pois trata-se de avanço tecnológico irreversível pelas inúmeras vantagens que a robótica agrega ao tratamento cirúrgico das hérnias.

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Sei bem que o assunto é controverso e de entendimento complicado. Procurei passar algumas ideias para que você, se estiver precisando operar sua hérnia, saber que é muito importante procurar um profissional afeito a todas as nuances e conhecedor de todas as possibilidades técnicas. Somente assim a sua cirurgia terá um resultado melhor.

Saiba mais

Reforço aqui novamente: compartilhe esse post. Vamos ajudar a esclarecer o assunto. Conto com sua participação. Caso você tenha dúvidas, mande um e-mail para contato@silviogabor.com.br . Mais uma vez, grato pela sua atenção e participação.

Um abraço amigo

Dr. Silvio Gabor

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