Dr. Silvio Gabor

Especialista em Gastroenterologia e
Cirurgia do Aparelho Digestório
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Abcessos e Fístulas Anais



O abscesso anal ou perianal é uma coleção de pus que se forma na região da borda do ânus ou em sua proximidade. Como em toda coleção purulenta, o tratamento é a drenagem ampla e eficiente. Muitos pacientes procuram o Pronto Socorro, onde o médico faz uma punção do abscesso com o intuito de esvazia-lo e melhorar a dor. Em alguns casos de coleções próximas da pele, pode haver ruptura espontânea e saída do pus, aliviando o quadro de dor. Para o tratamento definitivo é necessário drenagem ampla do abscesso, com remoção de todo o seu conteúdo e do tecido doente.

Muitas vezes, como consequência dos abscessos, forma-se uma fístula perianal (túnel que se abre entre o interior do canal e a pele, passando pelo abscesso).

Quando se forma uma fístula perianal, há necessidade de cirurgia que consiste na abertura de todo o trajeto fistuloso com remoção dos tecidos comprometidos (fistulotomia ou fistulectomia). Em alguns casos, esse trajeto pode passar por dentro da musculatura do ânus (esfíncter anal) e não pode ser removido todo de uma vez para não causar incontinência (perda involuntária de fezes). Nesses casos a cirurgia precisa ser feita mais de uma vez até que todo o tecido alterado tenha sido removido e o esfíncter anal seja preservado com sua função mantida para controle das evacuações.

A drenagem em Pronto Socorro do abscesso é feita sem anestesia, uma vez que o anestésico local não atua em áreas de infecção. Após o curativo o paciente é liberado e orientado a procurar serviço especializado para o tratamento cirúrgico definitivo.

O tratamento dessas doenças é feito em centro cirúrgico. Após período de 8 a 12 horas de jejum, paciente é submetido à anestesia regional (raqui ou peridural) e sedação. O abscesso deve ser drenado até seu esvaziamento total e o tecido doente ser amplamente removido. Os trajetos das fístulas devem ser identificados (pode haver mais de 1 trajeto) e abertos, o que pode exigir mais de uma operação. Quando o trajeto passa por dentro da musculatura anal, deve ser deixado um fio, ou outro material, que promova a fibrose (tecido de cicatrização duro) desse músculo para que seu trajeto intramuscular possa ser aberto em outra cirurgia, sem comprometer a função de controle da evacuação.

A alta hospitalar é dada no dia seguinte ao da operação. O paciente deve fazer curativos em casa e retornar ao consultório com frequência para acompanhamento. O tempo da cicatrização dependerá da área comprometida. O retorno às suas atividades será possível assim que a dor e o desconforto permitirem, mesmo que a cicatrização não esteja completa.