hérnia inguinal

Vamos ver hoje algumas das complicações possíveis de acontecer com quem opera de hérnia inguinal.

Por mais cuidados que se tome durante e após a cirurgia, estão descritas complicações. São em proporção pequena, mas a cirurgia não é isenta delas.

Vamos mencioná-las de forma aleatória, não sendo por ordem de frequência nem de gravidade.

Problemas a curto prazo na cirurgia de hérnia inguinal:

hérnia inguinal

  • Sangramentos: Qualquer corte pode sangrar, a maior parte das vezes sem gravidade nem repercussão clínica importante. Existe um conjunto de artérias e veias, denominados de Vasos Epigástricos, que passa muito próximo ao local da hérnia inguinal, com riscos de lesão desses vasos tanto na punção para introdução de pinças quanto no decorrer da cirurgia. Caso haja lesão desses vasos, eles devem ser amarrados e o sangramento contido. É bastante frequente o aparecimento de hematomas na região do corte, bolsa escrotal ou pênis (ou grandes lábios vaginais na mulher) que tendem a regredir sozinhos, como vimos em post anterior.
  • Infecção: É uma complicação não desejada de qualquer cirurgia. Algumas medidas como antibióticoterapia profilática e medidas de higienização local são tomadas, mas infelizmente elas podem aparecer independentemente de qualquer medida. Quando aparece uma infecção, medidas de tratamento local com curativos especiais são tomadas. Se o processo infeccioso atingir a tela, a tela deverá ser removida ou deixada no local, o que vai depender do tipo de tela usado e da evolução da infecção. Estou atualmente orientando dois TCCs de alunos residentes, com o objetivo de minimizar ainda mais as taxas de infecção.
  • Seroma: É uma secreção clara, fluida e sem sinais de infecção que aparece junto à tela. Isso ocorre por uma reação do organismo pela simples presença da tela. A maioria dos seromas acabam por serem reabsorvidos pelo organismo enquanto poucos exigem uma ou mais punções para esvaziá-lo.
  • Lesão de estruturas abdominais: Outra complicação bastante rara, mas não impossível de acontecer. A lesão de vasos sanguíneos pode comprometer o suprimento de oxigênio de estruturas abdominais e causar sua necrose. Outro fator é a lesão direta por tesoura, bisturi elétrico ou no momento da punção na laparoscopia. Essas ocorrências costumam ser percebidas e corrigidas imediatamente por cirurgiões experientes.
  • Trombose: Pode ocorrer em qualquer cirurgia. Como a cirurgia de hérnia é relativamente rápida, a trombose é pouco vista nesses pacientes. Pode ocorrer em veia profunda da perna ou no pulmão. Em pacientes de risco recomendamos o uso de meias elásticas, compressão passiva da perna e/ou medicamento anticoagulantes para afinar o sangue.

hérnia inguinal

Problemas a médio e longo prazo:

 

  • Recidiva da hérnia: É o reaparecimento da hérnia. Não existe prazo para que isso ocorra, podendo ser poucos meses ou alguns anos após a cirurgia. Desde o advento das telas, os índices de recidiva são cada vez menores, tanto nas cirurgias abertas como nas laparoscópicas (cerca de 0,5 a 1%).
  • Dor crônica: É atualmente a mais temida das complicações. Considera-se quadro de dor crônica aquelas dores que persistem por períodos acima de 3 meses após a cirurgia. Este quadro acomete por volta de 5% dos pacientes operados. São diferentes da dor do corte ou dor muscular que aparecem logo após a operação e duram poucos dias. Ela é decorrente da lesão de nervos durante a cirurgia. Seu diagnóstico pode ser feito por exame clínico especializado ou por fotografias coloridas com máquinas apropriadas e que diferenciam locais de dor por lesão nervosa. O tratamento nem sempre é simples, e é feito por medicamentos analgésicos de ação no cérebro ou por cirurgia para a remoção completa do nervo quando o remédio não surte o efeito desejado. No caso da remoção do nervo, o paciente acaba tendo uma perestesia (diminuição de sensibilidade) local, que apesar do desconforto, ainda é melhor que uma dor constante. A mais eficiente maneira de evitar a dor crônica é o cuidado e experiência do cirurgião nesse tipo de cirurgia. A casuística pessoal e do meu grupo é abaixo de 2%.
  • Infecção da tela: Pode ocorrer precocemente ou tardiamente. Já vimos acima como proceder.

Conclusão

Ficou claro que a cirurgia para tratamento de hérnias inguinais tem um baixo risco de complicações. Quando eles aparecem podem ser de fácil resolução ou de tratamento muito difícil e prolongado. Lembre-se que é um procedimento cirúrgico e, como tal, não é isento de riscos imediatos e/ou tardios. Envolvem, além dos mencionados, riscos relativos ao tipo de anestesia, da existência de doenças associadas, da própria internação e de como o paciente se comporta no período após a cirurgia até sua alta. Procure sempre obter informações sobre o cirurgião que fará sua cirurgia. Existem hoje no Brasil vários médicos com vivência e experiência em hérnias. Um site bastante útil de ser pesquisado é o www.sbhernia.com.br

Saiba mais

Tenho certeza que muitas das informações aqui contidas foram esclarecedoras para você. E podem ser para outras pessoas. Compartilhe. Se houver dúvidas, responderei a elas pelo site www.silviogabor.com.br ou pelo e-mail contato@silviogabor.com.br. A marcação de consultas é feita pelo telefone (11) 30647088. Terei prazer em recebê-lo e ajudá-lo.

Muito obrigado por ter me acompanhado nessas postagens sobre hérnias inguinais.

Um abraço amigo,

Dr. Silvio

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