hérnias

Continuando nossa série de postagens, hoje vamos ver um pouco de como se faz o diagnóstico de uma hérnia inguinal e como esse diagnóstico é feito, tanto por exame físico como por exames de imagem.

Antes de mais nada, é preciso discorrer um pouco mais sobre os sinais e sintomas que aparecem para quem tem hérnia inguinal. Pois é a sua suspeita da existência da hérnia que o levará a procurar um especialista. O médico não pode saber de seu problema se você não o procurar. Portanto, em caso de dúvidas, procure um especialista ou cirurgião geral. Estamos sempre prontos para ajudá-lo.

Como já vimos no post “Hérnias – Sem tecnicalidades nem mistérios”, a hérnia no abdome é causada por uma falha ou fraqueza da musculatura. No caso da região inguinal, quando isso ocorre, o paciente perceberá um abaulamento próximo a linha da virilha nas mulheres ou na linha da virilha e/ou bolsa escrotal nos homens. Esse abaulamento costuma aparecer aos esforços físicos e regredir com o repouso. Comumente é acompanhado de dor no local, mas a ausência da dor não exclui o diagnóstico da hérnia. Esse é o sintoma clássico, porém existem exceções, e elas não são raras.

Nos casos de anéis herniários pequenos (espaço por onde a hérnia passa, lembra?), a quantidade de tecido que passa é também pequena, o que pode passar desapercebido por quem observa. Esses orifícios permitem a entrada do conteúdo com certa dificuldade e, praticamente, impedem sua saída. Se você se reportar à imagem do cachorrinho com a cabeça no muro, poderá imaginar que se o buraco for pequeno, ele colocará a cabeça com certa dificuldade mas terá uma enorme dificuldade de sair, ao passo que se o buraco for grande, ele poderá atravessar com o corpo todo se desejar, para lá e para cá, quantas vezes quiser.

Da mesma forma que na primeira situação, na qual ele entra com dificuldade e não consegue sair, começará a latir e pedir ajuda, o tecido preso da hérnia reagirá com dor. Assim fica mais fácil entender porque hérnias podem se manifestar apenas com dor e não apresentar abaulamentos até hérnias volumosas que aparecem e reduzem facilmente sem dor. Em situação extrema, alguns anéis herniários são tão grandes, que chega a sair todo ou quase todo o intestino e outros órgãos, que acabam por ficar constantemente dentro da hérnia e não mais voltam para a cavidade abdominal.

hérnias inguais

Procure ajuda!

Lembre-se que o médico não pode saber de seu problema se você não o procurar. Estou sendo repetitivo, mas precisa ficar claro que você deve procurar ajuda em caso de certeza ou de simples dúvida.

Na consulta fazemos várias perguntas que nos ajudam a entender o que está acontecendo e, posso afirmar que, na maioria dos casos essa entrevista já é suficiente para termos uma forte suspeita tratar-se de uma hérnia. Certeza mesmo, somente após exame físico e exames de imagem (em determinadas situações esses exames de imagem podem ser dispensados).

No exame físico, que para ser completo deve ser feito em pé e deitado, o examinador fará uma avaliação visual da região, com e sem esforço provocado, e depois fará a palpação local, também com e sem esforço. Esse esforço provocado, chamado de Manobra de Valssalva, consiste em se pedir ao paciente que aumente a pressão do abdome. A maneira mais simples de se fazer isso é pedir para o paciente colocar a língua no céu da boca, tapar o nariz e soprar com força sem deixar o ar escapar. Todos esses procedimentos devem ser feitos de ambos os lados, independentemente do lado que o paciente tem a queixa. Isso permite a identificação de pequenas hérnias assintomáticas, as chamadas hérnias ocultas.

Exame para identificar as hérnias

Esse exame físico é praticamente indolor. Alguns pacientes podem sentir um incomodo durante a fase de palpação, mas que é passageiro e desaparece logo.

hérniahérnias

Se achar necessário, o médico solicitará exames de imagem. Os exames possíveis de serem feitos são a ultrassonografia, tomografia ou ressonância.

O mais comumente solicitado é a ultrassonografia pela sua facilidade de ser feito, rapidez e custo. Por outro lado, é o exame mais passível de não fazer um diagnóstico adequado entre os três. Recentemente orientei um trabalho muito bem elaborado por uma de nossas médicas residente da UNISA, onde a Dra Bárbara Henriqueta Ferreira Duarte mostra que a relação entre queixa, exame físico e achados intra-operatórios de hérnias, faz do ultrassom um exame inadequado em casos de dúvidas, prestando-se apenas para confirmação de hérnias onde a dúvida diagnóstica não existe. Esse trabalho aguarda publicação em revista médica especializada. O exame de ultrassom nas hérnias inguinais confirmadas por anamnese e exame físico serve como documentação de prontuário e para cumprir exigências das fontes pagadoras.

A tomografia e a ressonância são exames mais precisos e capazes de detectar pequenas hérnias. Porém são mais caros e de marcação com tempo mais prolongado. A tomografia é um exame de execução rápida. O diagnóstico de hérnia inguinal pode ser feito mesmo sem o uso de contrastes. Já a ressonância é um exame que pode demorar de 30 a 40 minutos para ser feito. E, pode gerar problemas na sua realização em pessoas claustrofóbicas. Esses dois exames são bastante utilizados quando existe incerteza na confirmação do diagnóstico. Ou, ainda quando o resultado do ultrassom é inconclusivo.

Saiba mais

Outros exames podem e devem ser solicitados para afastarmos diagnóstico diferenciais, que são vários como já vimos. Em caso de cirurgia, exames de sangue, Raio x, eletrocardiograma (ECG), entre outros podem ser pedidos de acordo com idade, antecedentes pessoais ou familiares. Avaliação de médicos que já acompanham o paciente por outros problemas é costumeiramente pedida, quando necessário.

Veremos no próximo post quando deve ou não deve ser indicada a correção cirúrgica. E, além disso, quais as técnicas operatórias possíveis, suas vantagens e desvantagens.

Lembre-se de compartilhar esse post. Você certamente estará ajudando outras pessoas a esclarecerem dúvidas. E caso você mesmo tenha questões a fazer, mande um e-mail para contato@silviogabor.com.br ou marque uma consulta pelo telefone (11) 30647088.

Um abraço amigo

Dr. Silvio Gabor

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