hérnias

Vamos aqui discorrer um pouco sobre as famosas telas usadas em cirurgias de correção de hérnias.

É um assunto amplo. Hoje se discute muito em congressos médicos a respeito das telas. Revistas especializadas e encontros entre profissionais da área promovem a discussão e disseminação de seu uso. Desde o material com que a tela é feita, tamanho, espessura, peso, porosidade, local de implante, complicações e tratamento dessas complicações e uma infinidade de outros quesitos. Muito já se sabe e muito resta a se aprender sobre elas. A maioria dos médicos, mesmo cirurgiões, que não vivenciam o tratamento das hérnias abdominais no seu dia-a-dia, não tem conhecimento adequado para usar a tela certa no local certo e no momento certo. Os convênios e seguros médicos também não! O que nos obriga a escutar frases como “tela é tudo igual” na nossa prática diária.

As telas, desde o seu desenvolvimento e pesquisa cientifica, nunca foram consideradas idênticas entre si. A indústria médica tem se dedicado para a obtenção de telas cada vez mais “perfeitas” e, o surgimento de novas telas cada vez mais “avançadas” não para. Trabalhos científicos aparecem nas revistas especializadas com frequência, E, nós médicos dedicados ao tratamento desse problema, temos que nos manter atualizados sempre.

Mesmo sendo um assunto amplo e com muitas perguntas a serem respondidas, um paciente portador de hérnia que será submetido à cirurgia com implante de tela, tem o direito de saber algumas particularidades. E é por isso que fiz esse post.

Para que serve a tela para correção de hérnias?

A verdadeira função da tela, colocada no local onde existe uma hérnia, é promover a formação de um tecido de cicatrização mais forte e resistente que o tecido que seria formado caso a tela não fosse usada. Explicando melhor, a presença da tela faz com que o organismo detecte e reaja contra a presença de um corpo estranho. Essa reação servirá para isolar esse corpo estranho. Com isso, formará um tecido denso e resistente, a fibrose, que envolverá toda a tela. É essa fibrose que corrigirá a hérnia, e não a tela.

billroth

A quantidade e espessura dessa fibrose depende do tipo de material com que a tela a ser implantada é feita e do local de sua colocação. Cabe ao cirurgião, conhecendo esses aspectos, decidir qual tipo de fibrose ele deseja que se forme. Tecidos submetidos a maior tração, estiramento e pressão necessitam recuperar uma resistência maior que tecidos não tão intensamente exigidos.

De acordo com o material com que as telas são fabricadas, são classificadas em sintéticas ou naturais, absorvíveis ou não absorvíveis.

A maioria das telas sintéticas e não absorvíveis é feita a partir do polipropileno, um termoplástico derivado do propeno. É um material flexível e resistente. Para seu implante, deve estar devidamente esterilizado pelo fabricante e acondicionado pelo hospital. É o grupo de telas mais usado atualmente.

As telas naturais absorvíveis são derivados da pele de alguns animais. São tratadas para a obtenção apenas do colágeno puro, sem nenhum tipo de célula ou micro-organismos associados. Isso servirá como matriz da formação do novo tecido. Usadas em situações especiais de perda tecidual ou processos infecciosos.

telas para cirurgia de hérnia

Diferentes tipos

Existem telas que são absorvíveis e produzidas de materiais sintéticos. São ótimas telas, mas que infelizmente tem o seu tempo de absorção curto para alguns casos. E, ainda são reabsorvidas antes da formação do tecido de proteção, o que leva ao retorno da hérnia.

Mais recentemente foi lançada uma tela absorvível e sintética nos Estados Unidos (onde tive a honra de ser o único brasileiro a participar de um simpósio sobre o assunto em 2016) e Europa. Ela é produzida a partir do P4HB, material obtido a partir de um processo fermentativo de bactérias não causadoras de doenças por serem transgênicas. Ela tem vantagens sobre outros tipos de tela semelhantes, como o tempo de reabsorção prolongado, podendo ser usada na maioria das cirurgias de correção de hérnia. Elas funcionam como uma matriz de crescimento tecidual natural do local de implante, ou seja, ao seu redor cresce o tecido da região, e não fibrose.

Esse novo tecido é resistente e evita recidiva da hérnia. No meu modo particular de entendimento, esse tipo de tela será a tela do futuro. O paciente não será mais obrigado a ter um corpo estranho em seu organismo. Por mais inerte que ele possa ser. E essa tela estará disponível no Brasil em curto espaço de tempo.

Saiba mais

As mudanças no seu organismo a curto, médio e longo prazo após ter sido utilizada uma tela, discutiremos num dos próximos post, quando abordaremos o período pós-operatório.

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Um abraço amigo

Dr. Silvio Gabor

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