Intestinos

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Constipação Intestinal

constipacao-intestinalA Constipação Intestinal, prisão de ventre ou intestino preguiçoso é a dificuldade de eliminar fezes. Ocorre quando o conteúdo líquido das fezes é menor de 70% do peso total da fezes, tornando o peristaltismo (movimentos intestinais que “empurram” o bolo fecal) menos eficiente e dificultando sua passagem pelo trato gastro intestinal. Considera-se normal evacuações a cada 3 dias ou até 3 evacuações ao dia.

Divide-se em funcional e secundária. Na funcional não existe uma doença orgânica causando a constipação. Alimentação com poucas fibras, baixa ingestão de água e sedentarismo são as causas mais comuns. Medicamentos como alguns tipos de antidepressivos, analgésicos, antiácidos com hidróxido de alumínio e drogas ilícitas contribuem para o aparecimento de constipação funcional.

A constipação secundária se apresenta quando pode ser identificada causa anatômica ou orgânica para a prisão de ventre. Hipertireoidismo, diabetes, lesões da medula espinhal, doença de Parkinson, depressão, cicatrizes intestinais causadas por radioterapia, diverticulites que evoluem com estenose intestinal (estreitamento do calibre do intestino) tumores de sigmoide e reto (porções finais do intestino grosso) e síndrome do Intestino Irritável estão entre suas causas.

Pacientes constipados (por qualquer tipo) referem não conseguir evacuar de maneira satisfatória, ou por evacuarem poucas vezes ou por terem evacuações incompletas. Muitos referem ter que fazer força para eliminar as fezes, dor em baixo ventre, distensão abdominal e formação de gazes. Apresentam graus variáveis de irritabilidade e mau humor (a palavra “enfezado” tem relação com “aquele que retém fezes”), inquietude e alterações de apetite.

O diagnóstico é feito pela história clínica. É importante ao médico tomar conhecimento dos sintomas, frequência evacuatória, tipo de fezes, hábitos alimentares, uso de medicamentos e se existem doenças associadas à prisão de ventre. Exames de imagem como raios-x contrastados (enema opaco, tempo de transito colônico), colonoscopia, tomografia, manometria retal (mede a capacidade de contração e relaxamento dos músculos ligados à evacuação) e defecograma ajudam no diagnóstico.

O tratamento deve ser iniciado com correção da alimentação (aumento da ingestão de fibras, água e associado à diminuição de alimentos constipantes). Muitas vezes pode ser necessário o complemento de fibras por meio de medicamentos. Laxativos são usados somente com indicação médica, pois podem não resolver o problema e ainda piorar o quadro. Medicamentos em uso podem ser trocados quando possível. As causas de constipação intestinal devem ser tratadas. Tratamento cirúrgico só é indicado em casos de complicações ou de doenças que causem prisão de ventre e que tenham indicação para a cirurgia.

Se não tratada adequadamente, a constipação intestinal pode evoluir para hemorroidas, fissuras, divertículos e inclusive para fecalomas (fezes empedradas no canal anal e reto e que podem necessitar esvaziamento em hospital).

Síndrome do Intestino Irritável

Síndrome do Intestino IrritávelÉ um distúrbio funcional do trato digestório com modificações por acentuação ou inibição da função intestinal. Até os dias atuais não são conhecidas alterações metabólicas, bioquímicas ou estruturais que sejam causa dessa síndrome. Acomete principalmente mulheres na faixa de 15 a 45 anos. Atinge cerca de 10 a 20% da população.

É uma doença crônica e que tem controle, mas não podemos falar em cura até o presente momento. Ela pode voltar após períodos variáveis de remissão (sem a doença) dependendo de fatores psíquicos, físicos e/ou ambientais.

Manifesta-se com dor abdominal ou desconforto, que vai e volta, localizado no abdome inferior e que ocorre no mínimo 3 dias por mês, nos últimos 3 meses, acompanhado de pelo menos 2 das seguintes características:

  • Alívio com a evacuação,
  • Início associado com mudanças na frequência das evacuações
  • Início associado com mudanças na forma das fezes

Pode apresentar-se com diarreia, constipação ou alternância entre elas. Algumas vezes acompanhada de flatulência (gazes),distensão abdominal e urgência evacuatória (quando vem a vontade, precisa evacuar imediatamente). As fezes podem contermuco (catarro) com alguma frequência e raramente sangue.

Por tratar-se de doença funcional, não existem exames laboratoriais ou de imagem para o seu diagnóstico. Esses exames são pedidos quando houver dúvida a respeito da existência ou não de outras doenças associadas, tanto intestinais (doença de Crohn, retocolite, etc.) como sistêmicas (doença celíaca, intolerância à lactose, etc.). Esse diagnóstico é clínico, baseado em dados fornecidos pelo paciente e do seu exame físico.

O tratamento inclui orientação alimentar, devendo ser evitados os alimentos que causam sintomas. Esses alimentos variam de pessoa para pessoa e, portanto, essa orientação é individualizada para cada situação.

A terapia medicamentosa visa melhoria das alterações intestinais (diarreia ou constipação) e seus sintomas (cólicas, gazes, distensão). Medicamentos que alteram captação de serotonina (hormônio, que entre várias funções, atua sobre a motilidade do intestino) são algumas vezes indicados.

Como alguns pacientes podem ter alterações emocionais, antidepressivos ou ansiolíticos são usados de acordo com cada caso. Acompanhamento psicológico deve sempre ser feito.

Antibióticos que tem atuação no intestino podem ser usados por períodos de 7 a 10 dias e repetidos em ciclos, de acordo com a necessidade, para adequação da flora intestinal. O uso de probióticos, que são um complemento alimentar composto de micro-organismos vivos e que melhoram a composição da flora intestinal, vem se mostrando úteis no controle da SII, por contribuírem para a melhora qualitativa e quantitativa dessa flora, levando a um funcionamento mais adequado do intestino.

Retocolite e Crohn

retocolite-e-crohnA Retocolite Ulcerativa (RCUI) é uma doença inflamatória do intestino. De causa desconhecida, mas pode haver influência de fatores genéticos, emocionais ou autoimunes (quando o organismo cria anticorpos contra alguns órgãos ou tecidos dele mesmo) na sua formação. Acomete o reto e o intestino grosso de maneira superficial (somente a mucosa, isto é, a camada mais interna da parede do intestino).

É doença crônica com intensidade e extensão variáveis, podendo ir desde uma lesão leve no reto até uma lesão grave de todo o colon (intestino grosso). Raramente acomete outros segmentos do aparelho digestório, articulações, pele, olhos e fígado. Manifesta-se por dores abdominais em cólica e diarreia que pode conter muco e sangue. As diarreias são persistentes e podem ocorrer a qualquer hora do dia e da noite. Pode evoluir com quadros de sangramento intensos e de difícil controle nas formas graves.

O diagnóstico de certeza, após suspeita clínica, é feito pela colonoscopia com biopsia da área comprometida. O tratamento é medicamentoso com sulfa e corticóides que costumam controlar bem as crises menos intensas e imunossupressores ou imunomoduladores, que podem ser usados nos casos mais graves. Antibióticos para tratar infecções associadas quando aparecem e sintomáticos para controle de dores, febre, diarreias, etc., podem ser usados. Em casos de não resposta ao tratamento clínico de doenças graves ou sangramentos profusos pode-se indicar a proctocolectomia total que consiste na retirada de todo o intestino grosso e reto.

A Doença de Crohn também é uma doença inflamatória que pode acometer todo o aparelho digestório, mais comum no íleo terminal (porção final do intestino delgado) e colon. Atinge todas as camadas da parede do órgão (mucosa, submucosa e serosa) e é muito invasiva. Sua causa ainda é desconhecida, mas parece ter forte relação com alterações do sistema imunológico, fatores genéticos, ambientais, dietéticos, emocionais ou infecciosos. Aparece como dor abdominal em cólicas, diarreia com ou sem muco e sangue, febre, enfraquecimento e perda de peso pelo déficit na absorção dos nutrientes da alimentação. Pode ser acompanhada de dores articulares, aftas, lesões de pele, pedra na vesícula ou nos rins.

As complicações mais comuns são a estenose (diminuição do calibre do intestino com dificuldade da passagem do bolo alimentar), fissura anal ou fistulas anais que podem drenar para pele, bexiga ou vagina. Os sintomas por serem inespecíficos não são suficientes para diagnóstico de certeza. A confirmação de Doença de Crohn é feita por exames de imagem como endoscopia, colonoscopia, enteroscopia, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Não existe cura para essa patologia, mas consegue-se controlá-la e obter períodos de remissão onde o paciente vive bem e sem sintomatologia. Além dos medicamentos sintomáticos, são usados sulfas, corticóides, imunossupressores e imunomoduladores de acordo com a evolução da doença, gravidade e existência de complicações. Corrigir as deficiências dietéticas é de suma importância. As cirurgias são indicadas para tratamento das complicações.

Divertículos

O divertículo é uma saliência para fora da parede de uma víscera oca. No ocidente, 85% dos divertículos do aparelho digestório localizam-se no colon sigmoide (porção final do intestino grosso).

São classificados como hipotônicos (causados por afrouxamento dos músculos da parede do intestino) e hipertônicos (aumento da pressão no interior do colon que força a musculatura da parede intestinal para fora).

A presença de inúmeros divertículos é a diverticulose. A inflamação do divertículo é a diverticulite.

O divertículo pode surgir por idade avançada, dieta pobre em fibras ou predisposição genética.

DiverticulosA diverticulose não costuma ter sintomas específicos, pode se manifestar com desconforto abdominal, constipação intestinal, ou alterações do hábito intestinal, sendo muitas vezes diagnosticada emcolonoscopia ou tomografia, realizados por outros motivos. A diverticulite hipertônica leva a uma dor de forte intensidade e início súbito, normalmente em quadrante inferior esquerdo do abdome, acompanhada de constipação ou diarreia, febre, náuseas e vômitos. A forma hipotônica manifesta-se com sangramento, podendo chegar a grandes perdas de sangue. Se houver formação de pus no interior do divertículo inflamado, este pode perfurar e extravasar para a cavidade abdominal. Esse pus extravasado pode ficar localizado próximo ao ponto de perfuração (abscesso localizado) ou pode se espalhar pela cavidade abdominal (peritonite generalizada).

O diagnóstico é feito por história clinica relatada pelo paciente e pelo exame físico. A forma hipertônica tem seu diagnóstico confirmado por tomografia, que mostra além do processo inflamatório, a presença ou não de pus extravasado e sua localização. A colonoscopia deve ser evitada durante a crise aguda por risco de perfuração do intestino durante o exame, mas tem papel importante no seu acompanhamento, após resolução do quadro agudo. A forma hipotônica é confirmada pela colonoscopia, que pode identificar o local do sangramento e muitas vezes controlá-lo.

O tratamento a princípio é clínico, com dieta liquida e antibioticoterapia. A cirurgia é indicada quando o tratamento clinico não resolve o quadro ou se houver perfuração. Alguns pacientes com quadros agudos de repetição, mesmo com boa resposta ao tratamento clínico, podem ter indicação de cirurgia. Essa operação visa remover o segmento comprometido do intestino. A cirurgia pode ser aberta (com corte) ou por laparoscopia, a colocação ou não de colostomia (abertura do intestino na pele lateral do abdome com bolsa própria para recolhimento das fezes) e a necessidade de cirurgias múltiplas vai depender de cada caso e deve ser decisão tomada pelo cirurgião no momento da operação. (vide cirurgias>divertículos).

Pólipos

Os pólipos (ou polipos) podem aparecer em qualquer órgão do Aparelho Digestório, desde o esôfago até o reto, sendo mais comuns no intestino grosso. São lesões salientes da mucosa (camada interna) desses órgãos. Podem acometer de 30 a 50% da população adulta. Mais comuns após os 50 anos, em obesos, pessoas com dieta pobre em fibras e ricas em carne vermelha e gorduras e nos fumantes. Atinge indistintamente sexo e raça. A presença de familiares portadores de pólipos é um dado importante. Se 2 ou mais membros de uma mesma família tem história de pólipos, todos os membros desta família devem ser avaliados e acompanhados.

Polipos

Existem vários tipos de pólipos intestinais, sendo os mais comuns o inflamatório, o hiperplásico e o adenomatoso. Essa classificação se baseia nas suas características celulares, e essa diferenciação é feita pela biopsia. São pólipos considerados benignos, sendo que os 2 primeiros não tem capacidade de sofrer malignização (virar câncer). O adenoma representa cerca de 2/3 dos pólipos e tem capacidade de malignização. Essa transformação em câncer é lenta (pode levar de 8 a ou 10 anos), o que nos dá tempo suficiente para diagnosticar, retirar e acompanhar o pólipo antes de sua malignização. Em média, 1 de cada 20 adenomas vão virar adenocarcinoma (câncer).

Em geral são assintomáticos, isto é, não causam sintomas. Pode existir sangramento desde microscópicos (imperceptíveis a olho nu) até hemorragias. Raramente um polipo cresce tanto que pode obstruir a passagem das fezes. Felizmente essas ocorrências são raras.

O diagnóstico é feito pela colonoscopia, que além de encontrar, pode remover o pólipo, minimizando-se assim seu risco de complicação ou malignização. Hoje em dia a colonoscopia preventiva deve ser realizada após os 40 ou 45 anos em pessoas sem história familiar de pólipos e o mais cedo possível naqueles que têm familiares com câncer de intestino.

Uma vez com o diagnóstico de pólipo adenomatoso, nova colonoscopia deve ser feita a cada 1,5 ou 2 anos para acompanhamento da região onde o pólipo foi retirado e para se verificar se há ou não formação de pólipos. Isso é suficiente para a prevenção do câncer do intestino, mas deve ser realizada periodicamente segundo orientação médica. Esta é uma atitude simples e que pode prevenir o aparecimento de um câncer.

Apendicite Aguda

apendicite-agudaO apêndice cecal é um órgão tubular de tamanho variável (cerca de 6 a 10 cm), com uma extremidade proximal ligada ao ceco (porção inicial do intestino grosso) e a outra distal, não ligada a nada, que é fechada em fundo cego. Se houver o fechamento de sua porção proximal, haverá proliferação bacteriana em seu interior, o que levará a inflamação e infecção deste órgão (apendicite aguda).

O quadro inicia-se com dor na região do umbigo ou da boca do estômago, passando após algumas horas para o lado inferior direito do abdome, onde se localiza o apêndice, acompanhado de febre moderada e perda de apetite. Alguns pacientes podem referir náuseas e vômitos.

A hipótese diagnóstica é feita pela história clínica e exame físico. Exames laboratoriais de sangue e urina mostram presença de infecção. Exames complementares, como raios-X de abdome, ultrassom e/ou tomografia, ajudam na confirmação do diagnóstico.

Em mulheres, esse quadro pode ser confundindo com doenças ginecológicas como cisto de ovário roto, gravidez ectópica, inflamações pélvicas, entre outras. Existem situações em que se torna impossível essa diferenciação, sendo necessária alaparoscopia, que além da elucidação diagnóstica servirá para o tratamento, em muitas ocasiões.

Por tratar-se de quadro inflamatório que pode evoluir para infecção, quanto antes o diagnóstico for feito e o tratamento iniciado, é melhor. Com a evolução do quadro, pode haver situações com infecção e formação de pus no apêndice, que se não tratadas, levarão à ruptura do órgão e saída do pus do seu interior para o abdome (cavidade peritoneal). Esse pus pode ficar localizado próximo do apêndice ou espalhar-se por toda essa cavidade. Essas situações dificultam o tratamento e a recuperação, com piora do prognóstico. O pus no abdome pode ser absorvido e parar no sangue causando situações muito graves como septicemia (ou sepsis ou infecção generalizada), muitas vezes levando ao óbito.

O tratamento da apendicite aguda é sempre cirúrgico (apendicectomia), e deve ser realizado o mais breve possível.

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