Dr. Silvio Gabor

Especialista em Gastroenterologia e
Cirurgia do Aparelho Digestório
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Pancreatite Aguda e Crônica



Pancreatite é a inflamação do pâncreas, que pode ser aguda ou crônica. O pâncreas é um órgão esponjoso, localizado no abdome, atrás do estômago, entre o duodeno e o baço. Divide-se em pâncreas endócrino (endo = interno) que produz hormônios, como a insulina e o glucagon, que participam do metabolismo; e pâncreas exócrino (exo = externo) produtor de enzimas digestivas, como amilase e lipase que vão para o tubo digestivo para ajudar na digestão.

A forma aguda é de início em curto prazo e na maioria das vezes recupera-se totalmente. Em alguns casos de pancreatite aguda severa pode deixar consequências para o resto da vida. Poucas vezes pode causar morte. Sua causa mais comum é a migração de uma pedra da vesícula para o colédoco (canal da bile) causando sua obstrução e impedindo o livre fluxo de bile e suco pancreático para o duodeno. Essa situação é conhecida por pancreatite biliar. Outras causas são o abuso de bebidas alcoólicas, trauma ou cirurgia abdominal, abuso de alguns medicamentos, infecções e as idiopáticas (sem causa conhecida).

Na forma crônica acontece um endurecimento do órgão e uma dilatação do canal pancreático de forma lenta e progressiva, o que acaba por levar a um comprometimento irreversível de suas funções exócrinas e endócrinas. Pâncreas endócrino secreção que vai para o sangue) e enzimas digestivas, como amilase e lípase (pâncreas exócrino = secreção que vai para o tubo digestivo). A grande maioria das vezes é causada pelo abuso de bebidas alcoólicas.

As pancreatites agudas manifestam-se por dor de forte intensidade, de início súbito, que se irradia para o dorso (dor em faixa), acompanhada de náuseas, vômitos, febre e icterícia em alguns casos (pele e olhos amarelos, fezes claras e urina escura). A crônica aparece com dor de menor intensidade e mais prolongada, acompanhada de diarreia. Esses pacientes podem desenvolver diabetes quando as secreções endócrinas ficam comprometidas.

O diagnóstico, quando existe a suspeita pela história clínica, é confirmado por exames laboratoriais (principalmente amilase). Os exames de imagem, como ultrassonografia, são uteis para mostrar presença de pedras na vesícula ou no canal da bile.

O tratamento da forma aguda é feito com paciente internado, pois é necessário que se fique em jejum absoluto com hidratação adequada e medicamentos apropriados pela veia, até que o quadro se reverta e possa ser reintroduzida a dieta. Não existe medicamento especifico para tratamento das pancreatites. Essas medidas fazem com que o órgão “fique em repouso” e se recupere, o que ocorre em cerca de 80% das vezes. Os outros 20% podem evoluir para as formas graves de pancreatite, quando será necessária internação em CTI (Centro de Terapia Intensiva). A causa deve ser sempre afastada, isto é, abstinência alcoólica e suspensão de medicamentos prejudiciais. Nos casos de pancreatite biliar (causada por pedra na vesícula) o tratamento é a remoção da vesícula (colecistectomia) assim que possível, na mesma internação ou após curto período depois da alta hospitalar.

O tratamento da pancreatite crônica é feito por abstinência ao álcool, alivio dos sintomas, dietas balanceadas e reposição de enzimas digestivas e insulina (nos pacientes diabéticos). Indica-se cirurgia quando a dor não puder ser controlada por medicamentos ou em casos de complicações como cistos e pseudocistos (coleções que se formam no interior do pâncreas, causam dor e prejudicam seu funcionamento).