Dr. Silvio Gabor

Especialista em Gastroenterologia e
Cirurgia do Aparelho Digestório
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Hérnias



Hérnia é a passagem de alguma estrutura ou órgão por um orifício (anel herniário) natural ou adquirido. No caso da parede abdominal é a passagem de um ou mais órgãos pela musculatura do abdome, causando um abaulamento visível. O órgão mais comum em uma hérnia é o intestino delgado.

As hérnias mais comuns são:

  • Epigástrica, que aparece na linha média entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide (osso que se palpa logo acima da “boca do estômago”),
  • Umbilical, quando aparece na cicatriz umbilical ou ao redor dela. Pode aparecer desde o nascimento ou após gestação com grande aumento do volume do abdome,
  • Inguinal, aparecem logo acima da virilha, podendo ser de um ou dos dois lados. Mais comum em homens, podendo descer até o testículo, sendo então conhecidas por hérnia inguino-escrotal,
  • Femorais ou Crural são hérnias que aparecem logo abaixo da virilha, na porção mais alta da coxa. Mais comum em mulheres,
  • Incisional, quando aparecem em local onde há uma cicatriz de cirurgia anterior e não houve uma cicatrização adequada dos músculos. Cirurgias de urgência são causas comuns de hérnias incisionais.

Existem outros tipos de hérnia no abdome, porém não muito comuns.

Manifesta-se como um abaulamento após esforço físico, podendo ser dolorosas ou não. Elas voltam para o lugar (reduzem) muitas vezes ao deitar ou se empurrar com a mão. Quando acontece de não voltar, dizemos ser uma hérnia encarcerada. Se em um período aproximado de 6 horas não houver redução (feita a maioria das vezes pelo médico do pronto socorro) podemos estar diante de uma hérnia estrangulada, pois passa a haver deficiência da irrigação sanguínea da parte estrangulada com sua consequente necrose.

A história clínica e o exame físico são suficientes para o diagnóstico na maioria dos casos. Exames de imagem como o ultrassom auxiliam na confirmação de hérnias pequenas. Em casos onde há suspeita de encarceramento ou necrose, o ultrassom com doppler pode confirmar a deficiência da irrigação sanguínea da área comprometida.

O tratamento das hérnias é sempre cirúrgico. As hérnias não complicadas são tratadas eletivamente, isto é, cirurgias programadas. Essa herniorrafia consiste na recolocação do conteúdo novamente da cavidade abdominal e fechamento do orifício por onde houve a sua passagem, impedindo-se assim que essa hérnia volte a se manifestar. Atualmente esse fechamento do orifício é feito com telas cirúrgicas. Elas são uma rede de material sintético ou orgânico e podem ser reabsorvíveis (desaparecem do organismo após períodos variáveis de tempo), inabsorvíveis (não desaparecem nunca) ou parcialmente absorvíveis (feita com mais de um tipo de material, onde uma parte desaparece e outra não). Ser ou não absorvida, assim como seu tamanho, forma e peso são decisões tomadas no momento da cirurgia. Seu principal objetivo é formar um tecido de cicatrização mais duro e firme (fibrose) que se formaria sem a presença da tela.

Quando existe uma das complicações, a cirurgia deve ser feita de urgência e algumas vezes pode ser necessária a remoção da parte comprometida do órgão encarcerado/estrangulado.